(Trecho de um texto escrito há anos)
A ânsia pelo politicamente correto faz com que alguns vivam ou num estado de simpatia exagerada (como quando brancos tratam outras etnias, principalmente negros, melhor do que tratariam alguém de sua etnia) ou num extremismo violento de revolta (no caso dos neonazistas). Esse completo descaso e preconceito moderno legalizado contra o branco vem fazendo as pessoas sentirem-se cada vez mais envergonhadas ou revoltadas, enquanto outras encontram no conveniente mote: “a culpa não é minha, sou uma vitima do sistema” a desculpa perfeita em qualquer situação adversa. No Brasil, se existe descriminação, ela é social. Tanto o branco quanto o negro pobre enfrentam as mesmas dificuldades para sair da pobreza. Alguns neoracistas acreditam que por negros com o mesmo tempo de estudo que brancos ganharem supostamente menos a “opressão” do negro por parte do branco pode ser demonstrada. Ora, orientais, genericamente, também ganham o dobro que os brancos. Por acaso isso é prova de racismo? Alguém vai chegar à conclusão que, com base nisso, amarelos oprimem brancos?
Fiz o ensino médio numa escola publica. Havia brancos, negros e mulatos na sala. Apesar de haver brancos, poucos ou nenhum dos alunos tinha cabelos e olhos claros como eu, haja vista que minha cidade, nas ultimas décadas, como muitas outras, recebeu levas e mais levas de migrantes nordestinos. Certa vez, entrei numa discussão sobre Cuba com um professor comunista-cristão-negro (sinistro, não?). Não lembro bem sobre o que falávamos, mas lembro que em determinado momento, irritado, ele simplesmente cortou o que eu dizia e usou o fato da maioria dos jogadores da seleção de vôlei cubano serem negros para provar sua tese de que o sistema comunista cubano era superior. Não vi sentido no argumento usado, já que não estávamos discutindo nada racial. Lembrei-o que alguns dos jogadores da seleção de vôlei são brancos, mas que a maioria esmagadora dos jogadores brasileiros de futebol, de longe o verdadeiro esporte nacional, são negros. Acho que ele deu um sorrisinho afetado ou coisa parecida como que sugerindo que aquilo seria de se esperar de alguém como eu. Depois disso a discussão enveredou, inevitavelmente, para a questão racial. Em determinado ponto ele me “lembrou” que enquanto meus ancestrais comiam em mesas suntuosas – talvez, por refletir o retrato do professor brasileiro de nível educacional não muito alto, ele realmente acreditasse que não havia proletariado explorado na Europa ou camponeses que trabalhavam de sol a sol – os dele laboravam em meio a chibatadas e que, deste modo, isso faria só os melhores da raça sobreviverem aos rigores da escravidão, “provando”assim que o negro pertence a uma raça superior. Isso mesmo, lembro de algo dessa discussão devido a essa última afirmação macabro-darwiniana feita por um professor afirmando que o negro é racialmente superior.
Perguntei-me, e provavelmente você também se pergunta, o que teria acontecido se a situação fosse inversa. Se o professor fosse branco e o aluno negro. Mas antes de dizer o óbvio, lembrei de outro exemplo simples.
Na mesma escola, sem muito interesse em ministrar a aula, certa vez uma professora negra começou a discorrer sobre como não gostaria que seu filho negro se casasse com uma branca: “Se misturar com essa gente nunca dá certo”, dizia ela, enquanto outras mulheres sentadas ao lado concordavam comentando casos pessoais. Continuou a professora, não se incomodando em diminuir a voz: “Quando meu filho nasceu ‘café com leite’ eu achei que podia ter sido um castigo de Deus”, desabafou provocando risadas.
O leitor, se tiver tido paciência para ler até aqui, talvez indague sobre onde está o princípio da isonomia. Não é preciso procurar muito para encontrar desigualdades “democráticas” como essa. Basta ligar a TV, ir a uma banca de jornais ou pesquisar os casos de racismo e a etnia comum dos acusados de os cometer. Sempre serão brancos. É quase impossível não lembrar de George Orwell. Se substituirmos a palavra bichos pela palavra homens, a frase ficaria mais ou menos assim: “Todos os homens são iguais, porém alguns homens são mais iguais que outros.”
Estes foram apenas alguns exemplos. Olhando para sociedade atual em que vivemos, poderíamos encontrar centenas de outros. O abismo separando aqueles que não se enquadram a esse novo modo politicamente correto de ser vem aumentando cada vez mais, separando o que deveria tentar unir. Enquanto isso, o governo e o sistema educacional ajudam a tornar o racismo não-branco cada vez maior e com mais embasamento legal

