(Uma das histórias inacabadas. Vou postá-la, provavelmente, em duas partes)
Você acorda. Você faz flexões. Você escova os dentes. Você assiste algum jornal. Você vai trabalhar. Você sorri e aperta mãos. Você volta. Você faz mais flexões. Você vai à faculdade. Você sorri e aperta mãos. Você volta. Você estuda. Você dorme. Você acorda. Você não lembra sobre o que sonhou. Tudo começa outra vez.
Fucking pointless, you know?
Na verdade, ponto há. É dos requisitos da sobrevivência: ganhar dinheiro para se alimentar, se manter and all that crap, but… por quê? Quero dizer, toda essa rotina para que nos tornemos robôs? Para que você seja sugado dentro disso até o ponto em que você não consiga nem mesmo se lembrar quem você é, se transforme em apenas mais um imbecil que não pode ser distinguido na multidão? É, mas é o que acontece. I guess the grown-up world killed the kid inside me…
Well, eu continuava acordando, mas há meses não conseguia me concentrar. Minha última esperança estava nas drogas, acho. Drogas mais fortes, como uma versão extra potente do Prozac ou coisa assim.
Cheguei ao trabalho vestindo camiseta e jeans. Era uma daquelas sextas-feiras, minha vida estava medíocre o suficiente para que o único motivo que me fazia acompanhar o calendário fosse aquele causal wear day, o dia em que não precisávamos vestir sapatos e camisas desconfortáveis ( às vezes me pergunto quem foi o imbecil que decidiu que para aparentar respeitabilidade você precisa se vestir como um masoquista ) e também o dia em que eu poderia, finalmente, me entregar ao ócio.
- Bom dia, Johnny. E aí, o que vai fazer de bom no fim de semana?
Como não detestar pessoas assim? Você mal as conhece. Sua convivência com elas é simplesmente obrigatória, um acidente criado por conta do seu trabalho, mas de alguma forma elas acham perfeitamente natural essa espécie de pergunta.
- An, hey. Não sei. Não sei ainda. Acho que vou tentar dormir um pouco
- Dormir? É fim de semana, cara, você não vai sair?
- É, talvez eu tome uma cerveja, não sei mesmo.
(Nessa altura, seu interior está berrando para o cretino indiscreto se calar e te deixar em paz. Mentalmente você pensa em formas de decapitá-lo)
- Ah, o pessoal vai fazer um happy hour, vamos? Você nunca vai
- Hum, pena, tenho que visitar minha mãe. Prometi há algum tempo, fica para a próxima
(Minha mãe, mesmo que morta desde os meus 17 ou 18 anos, mantinha suas utilidades post mortem)
Adorei! Muito legal mesmo os contos!