Passei coisa de metade do mês de dezembro no sul. Alguns dias em Santa Catarina, outros mais no Rio Grande. Serve como catarse para mim. Uma viagem que tento fazer com alguma freqüência. O sul é das poucas regiões no país, ou talvez a única, onde ainda me sinto em casa, onde me sinto relativamente bem. Daquelas onde surge o sentimento de admiração por algo pelo qual ainda vale a pena lutar nessas terras mancebas da América do sul.
A beleza natural, o clima e principalmente o povo me fascinam. O fascínio, porém, não se resume apenas às garotas – absolutamente belas – ou às livrarias – também em abundância e com aquele toque pessoal no atendimento -, ele está na cultura sulista, no aspecto comportamental das pessoas. A imbecilidade que soa natural e prosaica para um paulista como eu ainda causa espanto por lá. Lembro de ter rido bastante quando um amigo que fiz no hotel, um dos funcionários, se revoltou por um sujeito ter abandonado uma garrafa de cerveja vazia num muro baixo de uma casa – ele queria ir até lá e pedir ao sujeito para jogá-la no lixo. Lembro também dos carros que não precisam de semáforo para parar enquanto os pedestres atravessam. Lembro do encantador sotaque cantado. Enfim, são coisas pequenas que acabam cativando. Em todo caso, é quase impossível afastar o sentimento de incômodo. Incômodo porque sua mente não para de te lembrar que quando coisas como essas te impressionam, é sinal de que há algo de muito errado com teus conterrâneos do sudeste para cima.
Algo parecia podre no reino do sul, entretanto. Hordas de nordestinos, em excursões ou individualmente, estavam em quase todos os lugares. Acho que fui salvo apenas no interior, mas não pude deixar de lamentar pelo tempo em que apenas pessoas mais ao sul visitavam o norte do país, não o contrário. Na cachoeira do caracol, enquanto meu pai tirava uma foto, uma deles gritou (ainda que eu acredite que esse tom é natural para alguns deles) que ela seria a próxima, praticamente empurrando meu pai. Em outro lugar, numa casa colonial alemã com uma das melhores apfelstrudel que comi, outra deles assoviou perguntando para a senhora dona da casa, no tom mais autoritário e imbecil possível: “ Escuta, quanto é isso aqui, ein? Quanto é?”
Negros, ameríndios, assim como gente com fenótipo nordestino também encontrei por lá. Gente educada, amável e realmente sulista. Mas gente cuja família já estava lá há gerações. O problema, em verdade, é o mesmo que o do outro lado do oceano: a quantidade excessiva de migrantes e a impossibilidade de absorvê-los nesses números.
Nordestinos podem estar para o sul como muçulmanos estão para a Europa. Tempos tristes no velho continente, tempos tristes ao sul da manceba América. Ok, talvez a subversão não seja tão grave aqui como é a causada pelos muçulmanos lá, mas não consigo deixar de notar semelhanças…
Tenho sorte por ter encontrado esse texto, muito bem explicado!
Graças ao bom deus dos ateus, temos, neste nosso país, um refúgio. Só espero que não aconteça o que já acontece na Europa, sua descaracterização pela invasão, politicamente correta, dos bárbaros.
A sua visão simplista e preconceituosa não consegue dar conta do que se passou nesta região ao longo dos tempos,levando,em anos recentes,o governo optar por uma política de integração nacional com uma estratégia de crescimento em massa,o que favoreceu enormemente a região nordeste,uma região plena de potencialidades,assolada de há muito pelo descaso e menosprezo de tantos governos.
Lamento o seu comentário,juízo preconcebido e a sua atitude discriminatória perante pessoas,conduta expressamente vedaa pela Constitução Cidadã que ratificou a Declaração Universal dos Direitos Humanos e respaldou a Declaração de Princípios sobre a Tolerância.
“Como a abelha que clhe o mel de diversas flôres,a pessoa sábia aceita a essência das diversas escrituras e vê somente o bem…” Gandhi
Cara Ana,
Você começa, data venia, interpretando o texto de modo um tanto distorcido para então terminar recorrendo a uma falácia bastante popular entre os defensores do modo politicamente correto de ser, recorrendo ao argumento “ad baculum”.
Note que meu texto não critica pessoas ou grupo de pessoas em seu aspecto genético, congênito ou coisa que o valha. A crítica consiste na análise comportamental, isto é, numa crítica à cultura de determinados grupos. Ademais, se nossa Lei Maior veda o preconceito – algo cuja exegese pode ser extremamente lata, portanto perigosa – ela também garante a liberdade de expressão e difusão de idéias, condição “sine qua non” e puro consectário, penso eu, de qualquer legítima democracia.
Não pense que não me sensibilizo com o sofrimento de membros de certas populações, como a do nordeste. Algumas das histórias são realmente heróicas, dignas de servir como inspiração a muitos. Ocorre, contudo, que falava de culturas, não de indivíduos. Não tenho o menor pudor em rechaçar o multiculturalismo e afirmar que culturas podem ser – e o são – superiores e inferiores entre si, daí a necessidade de preservação de uma em detrimento de outras.
O paralelo que faço entre os muçulmanos e nordestinos (ainda que o exemplo possa parecer um tanto exagerado, confesso) segue essa linha. Não duvido que um nordestino possa se integrar à cultura mais a sul, por exemplo, rejeitando a idéia de um herói coronel que irá salvar o dia sozinho, bem como cultivando o senso de comunidade e respeitando-o, buscando se afastar do assistencialismo, criando consciência ampla, programática, de planejamento familiar, etc. É simplesmente uma questão de tempo e oportunidade. O ponto que faço, no entanto, é a impossibilidade de absorção, ou seja, os números de migrantes que, por serem abundantes, ao invés de serem absorvidos acabam por absorver. Mutatis mutandis, acontece no velho continente e, guardadas as devidas proporções, acontece por aqui.
O que chama a atenção em manifestações como a sua, cara Ana, é a tom policialesco. No teu caso há atenuantes, você provavelmente o assumiu pelo que lhe pareceu uma atitude nobre diante de um texto “preconceituoso”, conclusão que chegou graças a sua interpretação, data venia, deformada e simplista. De qualquer forma, digo que ela foi emblemática porque mostra que estamos em tempos onde idéias não são mais refutadas. Ataca-se, isto sim, a simples verbalização delas, não sua essência. Não demora muito e dizer que infanticídio ainda é comum entre algumas etnias indígenas, que Zumbi tinha escravos, que a cultura indígena ou africana (veja que falo de cultura, não de pessoas) pouco contribuíram para formar o que há de institucionalmente seguro no Brasil se tornará uma “atitude discriminatória” vedada pela nossa “Constituição Cidadã”. Eric Blair nunca foi tão atual.