Feeds:
Artigos
Comentários

Inaugurado um Mc Donald’s na minha cidade, ouço que muitos esquerdistas conhecidos estavam presentes e ávidos por um Big Mac. Um saltense, depois de denunciar essa incoerência, recebeu a seguinte explicação condescendente: “tem socialista que gostaria que todos tivessem acesso ao lanche do Mc, com atendentes bem remunerados e com ótimos benefícios trabalhistas!”. A explanação veio acompanhada de um smile que sorria e piscava – simbolizando perfeitamente a parvoíce soberba típica da esquerda.

Minha contribuição foi propor o seguinte exercício reflexivo:

Pergunte a um esquerdista qual seria a remuneração justa que o Mc Donald’s deveria pagar aos seus funcionários e qual seria o custo adicional para implementar esses outros “direitos” trabalhistas de qualidade.

Obtida a resposta, digamos que o Mc Donald’s fosse convencido e resolvesse adotar a idéia. Para fazer jus a esse aumento no custo da produção e funcionamento, digamos que o restaurante descubra que precisará aumentar o valor de seus lanches, valor que chamaremos de “X”.

Ocorre que ao aumentar o custo do seus produtos para “X”, o Mc Donald’s se dá conta de que a maioria dos seus clientes não pode mais adquirir os lanches da empresa, de maneira que a existência do negócio de tornará inviável e a marca logo deixará de existir.

Ainda dentro dessa situação hipotética, leve o problema ao esquerdista e pergunte qual solução ele propõe. A resposta, invariavelmente, será a seguinte: ele dirá que basta aumentar o salário da população para “Y”, de forma que todos poderão comprar os produtos cujo valor é “X” – mantenha em mente que você estará lidando com alguém que acredita que Marx era economista, portanto toda paciência deverá ser reunida para que o diálogo continue.

Pondere, por fim, que é sabido que a soma de X+Y não pode resultar em outra coisa que não uma desenfreada inflação, cuja consequência é instabilidade econômica e escassez de produtos essenciais. Qual será a reação do esquerdista? Ele ficará enojado com seu realismo reacionário, brandirá alguma katchanga amalucada como “não vai ter golpe!” e, se você tiver sorte, ao invés de queimar o carro de algum desconhecido, ele voltará para casa pedir dinheiro ao pai, marido ou coisa do gênero para comprar um Big Mac enquanto faz uma pausa nos seus planos de revolução, afinal, ninguém é de ferro…

P.S. Na inauguração do Madero Container em Itu havia alguns membros desse time. Uma delas, feminista e socialista, cheia de maquiagem que só o capitalismo pode oferecer, comprando um lanche que pôde ser pago apenas através da acumulação de riquezas que o sistema de livre mercado permite e estimula – quiçá com o dinheiro do estuprador em potencial que ela também chama de pai. Triste coerência própria da esquerda…

Parafraseando Adam Smith: Não é da benevolência do Ronald que esperamos o nosso Big Mac, mas da consideração que ele tem pelos próprios interesses. Apelamos não à humanidade (ou à boa remuneração de seus funcionários c/c sensacionais “benefícios trabalhistas”), mas ao seu egoísmo, e nunca falamos de nossas necessidades, mas das vantagens que ele pode obter ao nos proporcionar a genial reunião de dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim.

14202707_1138994909480289_401471852235318258_n

Eu não peço para você ler “More Guns, Less Crimes”, do John Lott. Eu não peço para você conhecer a importância estatística do fator dissuasório numa sociedade armada, evitando a incidência dos “hot burglaries”. Também não exijo que você tenha noção do poder que uma arma tem para equalizar homens e mulheres, anulando a menor força física feminina e diminuindo as chances de violência sexual, bem como emancipando, de fato, as mulheres (uma bandeira que a esquerda desarmamentista alega defender). Não peço, por fim, que você saiba que piscinas geram mais mortes por acidentes domésticos do que armas de fogo, ainda que não haja campanhas épicas contra piscinas nos domicílios.

Não peço nada disso. Peço apenas que assista ao vídeo abaixo. Pode parecer um argumento emocional – e talvez seja -, mas esse depoimento é a maneira mais clara que já vi até hoje de explicar o porquê de portar armas de fogo ser um direito natural elementar de qualquer homem livre:

Ontem foi o dia em que o Estado se esforça mais do que o normal para fazer o Marcelo, o João, o Guilherme, o Rafael, a Gabriela e tantas outras pessoas esquecerem que são indivíduos únicos ao mesmo tempo que tenta induzi-los à coletivização racial sugerindo que a quantidade de melanina na epiderme de alguém deveria condicionar o comportamento e a cultura dessa pessoa: batizaram isso de consciência negra.

“O empreendedor não pode comprar favores de um burocrata que não tenha favores para vender”

Sheldon Richman

Cidadão retardado que grita bobagens sem fundamento como “O Petróleo é nosso!”, “Não vendam nossas riquezas!”, “O Estado tem que regular a economia!”, “Quero uma agência reguladora para chamar de minha!”, regozije-se! Você conquistou o dever de não mais abrir a boca ou escrever em seu teclado para reclamar da corrupção endêmica no Brasil e nos demais países latinos. Corrupção que, por alguma razão desconhecida, parece eterna, certo?

Um libertário, via de regra, é a favor do livre-transito de pessoas. Sobre isso não há controvérsia. O problema, contudo, é que esse postulado só funciona se partir da premissa certa, ou seja, só é possível falar desse ideal de livre-trânsito quando o Estado de Bem Estar Social não integra a equação.

A recente crise de imigração no Velho Continente será um desafio aos amantes da liberdade. Aqueles que, como eu, denunciarem o equívoco que é abrir os braços para a horda de “refugiados”* serão execrados como apóstatas. Os que defenderem o recebimento indiscriminado, entretanto, talvez estejam condenando a Europa a consequências tão catastróficas quanto as geradas pelo Tratado de Versalhes.

Simplificando e exemplificando, tudo é como um castelo de cartas. Se não há base, não é possível montar o castelo. A base, nesse caso, é um Estado Libertário que não existe. Vejam, numa realidade sem Welfare State, faria todo sentido receber imigrantes que agradem a todos os paladares, tanto pela perspectiva da mão de obra barata, como pela infusão de novas idéias ao think tank cultural. O problema é que o protótipo de imigrante atual não chega ao Velho Continente como chegava há algumas gerações. Sua primeira pergunta não mais consiste em saber quais são suas obrigações enquanto indivíduo responsável por si mesmo, mas, em verdade, o novel imigrante quer saber quais são seus direitos e quem será responsável por ele (vide o recente apelido de “Mamãe Merkel” concedido à chanceler alemã pelos “refugiados”). O saudoso Janer Cristaldo, em 2010, já desnudava esse problema:

“O que um dia foi a salvação de sociedades ricas que necessitavam de operários pouco qualificados para trabalhos braçais, tornou–se hoje uma praga para os países desenvolvidos. Se antes os migrantes chegavam perguntando por trabalho, hoje chegam exigindo seus direitos. Isso sem falar que trazem consigo seus hábitos bárbaros: ablação do clitóris, infibulação da vagina, véus e submissão da mulher.”

No mesmo sentido, Walter Laqueur, em seu Últimos Dias da Europa –Epitáfio para um velho continente (leitura que recomendo vivamente), revela como os assistentes sociais dos países escandinavos, por exemplo, ensinam os imigrantes a sugar o máximo possível do Sistema Wellfare State assim que chegam ao país, ao mesmo tempo que, em seus bolsões e guetos, rejeitam os mais básicos valores ocidentais.

Reconheço que lendo este texto, o libertário mais crítico e visionário pode achar a perspectiva alvissareira. “Deixe que eles suguem”, dirá. Afinal, isso apenas aceleraria a inevitável ruina do vetusto Sistema de Bem Estar Social, levando-o à insustentabilidade financeira que já se avizinhava. Ocorre, porém, que a experiência brasileira demonstra o contrário. Uma vez instituído o parasitismo da maioria, buscar eliminá-lo é o mesmo que combater Leviatã. As cabeças da Hidra não pararão de nascer, vide o Bolsa Família e todos os seus genéricos, vide o bizarro salário mínimo, vide o galopante aumento progressivo da remuneração dos servidores públicos sem o respectivo aumento de produção, vide o Estado que não para de se agigantar para resolver os problemas gerados justamente pelo agigantamento do Estado…

Evidente que uma posição como a que defendo é um prato cheio para a manipulação das esquerdas, ávidas que são por sofismar transformando em “nazi-fascismo” tudo que não condiga com o que elas pensam. Afinal, que melhor maneira de terminar vitorioso uma discussão, aos olhos dos parvos, do que taxar seu oponente de racista, nazistas, fascista, ou qualquer outro “ista” coletivizante…?

Aliás, nesse sentido, Janer também tinha razão ao dizer que a nova bandeira emocional da imigração consiste em nada além de um “estertor das esquerdas que um dia odiaram o Ocidente. Este ódio está presente na primeira frase do Manifesto Comunista: ‘um fantasma ronda a Europa, o fantasma do comunismo’. Como o marxismo, tendo como arma uma ideologia, perdeu esta batalha contra o Ocidente, seus remanescentes recorrem agora a uma nova arma, o imigrante.”

Enfim, eu diria que um libertário, idealmente, deve defender o livre-trânsito de pessoas, mas essa luta se dá apenas quando outras etapas já foram atingidas – v.g., a eliminação do Estado paternalista cradle to grave. Antes disso, o libertário que empunhar a bandeira de open borders no Velho Continente estará apenas minando a própria liberdade que ele deveria proteger.

*Refugiados que atravessam vários países estáveis antes de pedir asilo não são mais refugiados, são pessoas que querem a vida de um alemão. Não que haja algo de errado nesse desejo, mas tal objetivo não pode ser alcançado à custa dos demais europeus.

https://www.facebook.com/rpiaia/posts/937055553007560?hc_location=ufi

A interferência do Estado em nossas vidas e o grau de infantilidade dos cidadãos adultos atingiu um patamar tão difícil de acreditar que as pessoas não ficam mais satisfeitas em apenas regrar suas próprias vidas. Elas precisam estender seu controle sobre a vida dos outros. Algo como:

Quero parar de fumar ou não sou fumante, mas não fico satisfeito em tomar essa resolução por mim mesmo na minha vida. Preciso que o Estado venha e obrigue todos a não fumar. Então dane-se você e suas escolhas.

Sou contra as armas, mas não fico satisfeito em não possuir uma delas. Preciso que o Estado venha e obrigue todos a não possuírem armas. Então dane-se você e suas crenças sobre autodefesa.

Sou contra a propriedade privada, mas não fico satisfeito em não ter posses. Preciso que o Estado venha e obrigue todos a não possuir bens. Então dane-se você e sua meritocracia.

Sou “vida loka”, então tenho 6 filhos. Não fico satisfeito em assumir as consequências disso. Preciso que o Estado venha e obrigue você, que decidiu ter apenas 2 ou 3, a separar parte da sua renda para cuidar dos meus. Então dane-se você e seu senso de accountability

Sou cristão, muçulmano ou coisa que o valha. Não fico satisfeito em implantar meus valores à minha vida. Preciso que o Estado venha e os estabeleça coercitivamente através de lei para todos. Então dane-se você e suas convicções morais.

O MUNDO UM POUCO MAIS SOMBRIO

Meu herói faleceu. Não consigo pensar em quais palavras usar, nada parece digno. Talvez só o que se possa fazer seja continuar vivendo e aproveitando o que há na existência em honra dele, em honra da memória de alguém que, a despeito do que eu possa desejar, provavelmente não mais existe. É o que ele diria, algo como: “Vivamos, nós que estamos vivos”.

O mundo está um pouco mais sombrio sem Janer Cristaldo, um dos maiores pensadores que esteve em nossos tempos.


1378620_812602142095441_5790067563395415487_n